Dia Nacional do Voluntariado

O Dia Nacional do Voluntariado existe para lembrar algo que muitas vezes passa despercebido: por trás de cada ação que muda uma realidade, há sempre uma mão que se ofereceu de graça, um tempo que foi doado sem cobrança de retorno. É a data em que o país para, ainda que por um instante, para agradecer a quem tece a rede invisível da solidariedade: quem visita, quem ouve, quem carrega, quem ensina, quem simplesmente aparece quando é preciso. Não é uma celebração de heróis distantes, mas de gente comum que decide, todos os dias, que o outro também é responsabilidade sua.

Há quem viva essa entrega de um jeito ainda mais completo, unindo à vocação de servir uma vocação ainda maior. É o caso do padre Marcelo Keller Santiago, diretor-presidente da Cáritas Diocesana de Colatina, cuja história nasceu no chão simples do bairro Maria das Graças, em Colatina, onde aprendeu a fé antes mesmo de ter palavras para nomeá-la: nos gestos de coroinha, na paciência de catequista, no cuidado de quem organiza a liturgia para que a comunidade encontre Deus com beleza. O chamado, que já morava nele em silêncio, ganhou voz em 2007, no propedêutico, e amadureceu até a ordenação diaconal em 2015 e a sacerdotal em 2016. Desde então carrega no peito um lema que é também uma prece constante: “Fica conosco, Senhor”. Passou por diferentes paróquias da diocese, como quem planta em vários terrenos, e hoje pastoreia a Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, em Bela Vista, Aracruz. Coordenou a Área Pastoral do Café, aproximando a Igreja da terra e do trabalho, e desde 2023 conduz, como diretor-presidente, a Cáritas Diocesana de Colatina.

É nessa trajetória que se vê, com clareza, o que o Dia Nacional do Voluntariado celebra. A missão de padre Marcelo transborda os limites de uma função de direção, porque nasce da mesma raiz que o levou ao altar: o desejo de estar perto do povo e transformar essa proximidade em gesto concreto. Como sacerdote, cuida da alma das comunidades que acompanha; como voluntário à frente da Cáritas, estende as mãos também para a fome, a fragilidade e a esperança de quem mais precisa, e assim as duas vocações não se dividem, se completam, como duas margens do mesmo rio. Nessa entrega em que fé e serviço se confundem está a prova viva de que o voluntariado, no fundo, é sempre a continuação natural de uma vocação maior: a certeza de que a esperança só cresce quando alguém se dispõe a semeá-la nas mãos de outra pessoa.

/Aline Costa Martins Melotti – Coordenadora de Projetos