Seminário debate sobre desdobramentos do rompimento da barragem de Fundão

O Seminário das dioceses da Bacia do Rio Doce, Nossa Casa Comum – Corresponsabilidade de todos frente à vida ameaçada, realizado no início de março, em Mariana, discutiu sobre os desdobramentos do rompimento da barragem de Fundão, suas consequências, reparos, compromissos e os ônus e bônus da mineração no Brasil. O encontro organizado pela comissão de Meio Ambiente da Província Eclesiástica de Mariana, reuniu cerca de 100 pessoas.

Para o arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha, o seminário foi realizado em um momento muito especial. Após os governos federal, de Minas Gerais e Espírito Santo, assinarem um acordo com as empresas envolvidas.

“Podemos refletir, avaliar, estudar, aprofundar, com assessores muito qualificados, toda a problemática que se levanta diante do rompimento da barragem de Fundão. Os danos causado são ainda dificilmente calculados, porque são muitas as implicações e as complicações. Causa-nos certa perplexidade, o acordo que foi assinado entre o governo federal, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo e as empresas Samarco, Vale e BHP, porque não se vê com clareza quais são, efetivamente, os compromissos assumidos. O que ali está mais parece uma carta de intenções do que propriamente um acordo”, afirma.

No acorda assinado pelos governos e as empresas, 4 meses após o rompimento da barragem, questões como a não participação dos atingidos e o fato da própria mineradora administrar todos os recursos destinados à mitigação dos danos, por meio da criação de uma fundação, estão entre os pontos questionados.

“Causa estranheza que a fundação que está sendo criada pelas empresas, vem a ser controladas, pelas mesmas empresas e causou-nos perplexidade, também, a ausência absoluta dos atingidos com essa tragédia que trás tamanhas consequências”, ressalta Dom Geraldo.

Para o assessor da dimensão sociopolítica da arquidiocese, padre Marcelo Santiago, o acordo depõem contra os atingidos e os interesses da população. “Pensando nessa grande área da bacia do rio Doce, pensando em sua revitalização, não houve transparência, não foram ouvidos as comunidades e os atingidos. Nós estranhamos esse ato que uniu o estado e as empresas para a definição dos passos para a recuperação dos espaços ao lado dessa bacia sem ouvir realmente os clamores do povo e dos atingidos”, conta.

A diocese de Colatina foi representada por 03 pescadoras do distrito de Mascarenhas, Baixo Guandu (Vanda Lopes Rosa, Raquel Lopes Rosa e Claudia Neves); e pelo professor Lourival Demuner, também de Baixo Guandu.

Fonte: arqmariana.com.br

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